Espécie
Barracuda
Peixe de caça
A barracuda é o predador implacável dos mares tropicais, uma seta de prata e músculo desenhada para a velocidade e a emboscada. Com o seu corpo longo e cilíndrico, e a sua boca repleta de dentes afiados como punhais, a barracuda é a personificação da eficiência predatória. Não é um peixe de meias medidas; é um caçador solitário e voraz, que inspira tanto fascínio como respeito. A sua carne, branca e firme, reflete a sua natureza: um sabor intenso e uma textura que não deixa ninguém indiferente.
Existem várias espécies de barracuda, mas a mais famosa é a Barracuda-gigante (Sphyraena barracuda), um predador de topo que pode atingir os dois metros de comprimento. É um peixe de águas quentes, comum nos recifes de coral das Caraíbas e do Indo-Pacífico, mas que tem vindo a expandir o seu território. A sua aparição cada vez mais frequente nas águas da Madeira e dos Açores é um indicador das mudanças climáticas e do aquecimento do Atlântico.
É um caçador de emboscada, que utiliza a sua velocidade explosiva (pode atingir mais de 40 km/h) para apanhar as suas presas, que são outros peixes e lulas. A sua reputação de peixe agressivo não é totalmente infundada, embora os ataques a humanos sejam raros e geralmente resultado de um erro de identificação. A sua pesca é sobretudo desportiva, sendo um troféu cobiçado pelos pescadores pela sua força e combatividade.
A barracuda tem uma aparência que não engana. O seu corpo é longo, em forma de torpedo, e a sua cabeça é pontiaguda, com uma mandíbula inferior proeminente que lhe dá um ar permanentemente zangado. A sua boca está armada com duas filas de dentes de tamanhos diferentes, todos eles extremamente afiados e capazes de cortar as suas presas com uma precisão cirúrgica. A sua cor é prateada, com manchas escuras no dorso, uma camuflagem perfeita para se esconder na coluna de água.
A sua carne é branca, firme e com pouca gordura. O seu sabor é marcante e característico, por vezes descrito como sendo mais “selvagem” que o de outros peixes. Em algumas regiões tropicais, a carne de barracudas maiores pode acumular uma toxina (ciguatera), mas este risco é praticamente inexistente nas águas mais frias onde são capturadas em Portugal. A sua textura firme torna-a muito versátil na cozinha, prestando-se a uma variedade de preparações.
A carne firme da barracuda aguenta bem o calor, tornando-a perfeita para a grelha. Uma posta de barracuda, temperada com sal, alho e ervas aromáticas, e grelhada na brasa, fica com uma crosta deliciosa e um interior húmido e saboroso. É um peixe que combina bem com sabores fortes e tropicais, como o ananás, o gengibre ou o leite de coco.
Assada no forno é outra excelente opção. Um lombo de barracuda, assado sobre uma cama de batata-doce, pimentos e cebola roxa, regado com azeite e sumo de lima, resulta num prato exótico e cheio de cor e sabor. A sua carne não se desfaz facilmente, o que a torna ideal para este tipo de preparação.
Frita em postas ou filetes, a barracuda também é deliciosa. Passada por uma polme e frita até ficar dourada, a sua carne mantém-se suculenta por dentro. Servida com um molho picante ou uma maionese de citrinos, é uma entrada ou um petisco fantástico. É um peixe que convida à experimentação, a sair da nossa zona de conforto e a explorar sabores mais intensos e exóticos.
