Espécie
Bonito-Atlântico
Peixe pelágico
O Bonito-Atlântico, ou Sarrajão, é um atleta das nossas águas, um predador ágil e potente que percorre o mar aberto em grandes cardumes. Com o seu corpo fusiforme, desenhado para a velocidade, e as suas listas escuras que parecem relâmpagos no dorso azul-esverdeado, o bonito simboliza a força e a vitalidade do Atlântico. A sua carne, de um tom rosado e sabor intenso, reflete a sua vida ativa que exige músculos fortes e irrigados. É um peixe para quem gosta de sabores marcantes e de sentir a energia do mar no prato, perfeito para um churrasco de verão!
O Bonito-Atlântico (Sarda sarda) é um parente próximo do atum e da cavala, partilhando com eles a natureza de grande migrador e caçador incansável. Vive em cardumes que se deslocam em águas abertas, perseguindo vorazmente outros peixes mais pequenos como a sardinha e a anchova. Esta dieta rica e a sua constante atividade física resultam numa carne firme, saborosa e com um elevado teor de gorduras saudáveis, como o ómega-3.
É um peixe que se encontra por todo o Atlântico, mas tem uma ligação especial com os Açores. É aqui que a sua pesca atinge o expoente máximo de sustentabilidade e espetacularidade, com o método de “salto e vara”, uma arte de pesca artesanal em que cada peixe é pescado um a um, com uma cana, respeitando o ritmo do mar e garantindo uma qualidade excecional.
O bonito é um peixe talhado para a velocidade. O seu corpo é uma máquina hidrodinâmica, musculado e alongado, terminando numa barbatana caudal forte e bifurcada que o impulsiona pelas águas. As suas listas escuras e oblíquas no dorso são a sua imagem de marca, um padrão que se camufla na ondulação da superfície do mar. É um peixe de sangue quente, uma característica rara que partilha com os atuns e que lhe permite manter os músculos a uma temperatura elevada para explosões de velocidade durante a caça.
A sua carne é diferente da maioria dos peixes. Não é branca e delicada, mas também não é tão escura e intensa como a do atum rabilho. Tem um tom rosado, uma textura firme e um sabor rico e pronunciado, a meio caminho entre a cavala e o atum. É um peixe gordo, mas da melhor gordura que o mar nos pode dar, repleta de ómega-3, que o torna um aliado da saúde cardiovascular.
Receitas com Bonito A personalidade forte do bonito pede métodos de confeção que honrem a sua intensidade. A grelha é o seu palco de eleição. Uma posta alta de bonito, mal passada na brasa, com a pele estaladiça e o interior húmido e rosado, é uma experiência inesquecível. Nos Açores, serve-se tradicionalmente com um “molho de vilão”, uma emulsão vibrante de azeite, vinagre, alho e pimenta da terra que corta a gordura do peixe e eleva o seu sabor.
Frito em postas, também à moda dos Açores, é outra delícia, especialmente quando acompanhado de batata doce. Mas a sua versatilidade não fica por aqui. É excelente para fazer conservas de alta qualidade, que guardam o sabor do verão para os meses de inverno. Salteado em cubos com alho e pimentos, ou mesmo cru, em tártaros e marinadas, o bonito mostra a sua faceta mais moderna e surpreendente. O segredo é sempre o mesmo: cozinhá-lo pouco tempo para manter a sua suculência e o seu sabor autêntico a mar.
